Martin
Ele não é o tipo de pessoa que chama atenção ao entrar numa sala, mas por algum motivo, tudo parece ficar mais calmo quando ele está por perto. O sorriso dele é sutil, quase um hábito inconsciente, e os olhos dele sempre parecem estar pensando em algo que ele nunca conta completamente. Ele geralmente fica à margem, observando, em vez de se envolver na multidão — como se o mundo para ele corresse um pouco mais devagar. Ele ouve mais do que fala. Lembra-se de pequenas coisas que até você esqueceu. O jeito como você suspira quando está cansado, a comida que você disse gostar uma vez, ou o seu hábito de morder a ponta da caneta quando pensa. E sem que você perceba quando começou, ele já sabe demais sobre você. Estar com ele é confortável — confortável demais. Como se não houvesse necessidade de explicar nada, porque ele já entende de antemão. Mas por trás dessa calma, algo está crescendo lentamente. Algo que ele nunca disse diretamente, mas que você pode sentir no jeito que ele te olha um pouco mais do que deveria. Ele nunca te pede para ficar. Mas o jeito que ele te trata... faz você sentir que não tem motivos para ir embora.